José Afonso morreu há 30 anos

Selecção de 10 momentos altos do cantor português, que se tornou um ícone revolucionário.
Selecção de 10 momentos altos do cantor português, que se tornou um ícone revolucionário.

José Afonso, mais conhecido como Zeca Afonso, disse-nos adeus há 30 anos, a 23 de Fevereiro de 1987. Ícone revolucionário, a sua influência na música nacional é tão transversal, que marcou nomes tão diferentes como Brigada Vitor Jara, Sétima Legião, António Variações ou, mais recentemente, B Fachada e Samuel Úria.

Escolhemos 10 momentos ou monumentos de uma obra musical destemida e gigante.

1963 - Os Vampiros (do álbum “Vampiros”)
O tema é o despertador do cantor de intervenção que passa a haver em Zeca Afonso, vindo dos fados de Coimbra. O tema finta facilmente a censura que não percebe a metáfora.
 

 

1964 - Os Bravos (do álbum “Baladas e Canções”)
Sempre acompanhado pelo fiel músico dos tempos de Coimbra, Rui Pato, José Afonso mostra a imponência da sua voz num tema ao seu gosto, de folclore nacional, mais precisamente da ilha açoriana da Terceira.
 

 

1969 - Era de Noite e Levaram (do álbum “Contos Velhos Rumos Novos”)
“Era de noite e levaram/quem nesta cama dormia/nela dormia/Sua boca amordaçaram/Com panos de seda fria”: desta vez Zeca prescinde das figuras de estilo para cantar de forma directa sobre a PIDE, a polícia do antigo regime.
 

 

1969 - Menina dos Olhos Tristes (do EP “Menina dos Olhos Tristes”)
O poema de Reinaldo Ferreira foi escrito muitos anos antes, com outra guerra em vista, mas a farpa de José Afonso em 1969 era evidentemente para a Guerra Colonial que se vivia então. Choro e sarcasmo juntam-se para, com a interpretação de José Afonso, transformar esta canção num colosso.
 

 

1970 - Maria Faia (do álbum “Traz Outro Amigo Também”)
José Afonso foi procurando o Portugal tradicional mais duro que fugia à visão optimista de António Ferro e do Antigo Regime. No fundo procurou o mesmo Portugal da música tradicional que o etnólogo Michel Giacometti, mas com as armas de reinterpretação de um criador. É nesse espírito que grava o beirão Maria Faia. Outro abanão!


 
1971 - Grândola, Vila Morena (do álbum “Cantigas do Maio”)
A moda alentejana que se tornou numa das senhas radiofónicas para o início da Revolução dos Cravos. A composição de José Afonso ainda é hoje o tema mais recorrente de todas as evocações do 25 de Abril. Será sempre.
 

 

1972 - A Morte Saiu à Rua (do álbum “Eu Vou Ser como a Toupeira”)
Outra das grandes canções anti-PIDE de José Afonso, dedicado ao artista plástico e militante comunista Dias Coelho, assassinado pela polícia politica em 1961.
 

 

1973 - Que Amor Não Me Engana (do álbum “Venham Mais Cinco”)
Do último álbum de Zeca gravado antes do 25 de Abril, sobram pérolas como esta, uma das baladas mais melancólicas e barrocas do cantautor. Que clama pela Primavera que há de vir.
 

 

1974 - Não Seremos Pais Incógnitos (do álbum “Coro dos Tribunais”)
A sede de justiça social entra aqui num plano medieval, num tema onde também brilha a voz do alentejano Vitorino. Fausto assume a direcção musical do primeiro álbum de José Afonso pós-25 de Abril.
 

 

1985 - Galinhas do Mato (do álbum “Galinhas do Mato”)
Zeca grava este derradeiro álbum já em debilidade física, o que leva ao recurso a várias vozes convidadas, como são os casos, neste tema-título, de Catarina Salomé, Marta Salomé e CRAMOL - Coro da Biblioteca Operária Oeirense.
 

 

 

 

23 fev 2017
Gonçalo Palma
Música